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sábado, 27 de agosto de 2011

FERNANDO DE NORONHA E O SEU DESVENDAR HISTÓRICO

Trabalhar a historia da Ilha de Fernando de Noronha requer desvendar inúmeras possibilidades de conexão com a construção de Nação Brasileira, e que ainda estava sendo descoberta e cosntruída. Fernando de Noronha, neste momento, era vista como palco para a construção da identidade brasileira, mas cujo destino era servir de "depósito dos desvairados" da sociedade em formação do século XVII.

Noronha era tida como ponto estratégico militar e, neste sentido, era um lugar visado por nações estrangeiras, como objeto de invasão e posse. Essa vontade por ocupa-la encontra eco no sentimento expansionista que permeava a humanidade naquele período de "grandes descobertas", tomando como meta a corrida por conquistar colônias. 

Documentos oficiais da época relatam a presença de estrangeiros de diferentes nações aos arredores do Arquipélago: como os holandeses, no século XVII e franceses e ingleses, no século XVIII. Sob o argumento de "precisão de água" eram tidos pelo o comando oficial como "suspeitos", uma vez que a conjuntura da geopolítica para o Atlântico desaguava em diferentes acordos marítimos de navegação entre os continentes americanos, europeus e africanos. 

Haja vista que Portugal, Espanha e Inglaterra possuíam colônias entre essas dimensões geográficas a presença desses estrangeiros era uma constante; Ora como piratas e corsários, ora com a necessidade de abastecimento para as longas viagens. A verdade é que havia um ar de desconfiança a todos aqueles que se aproximavam da ilha, principalmente a quem era estrangeiro, e isto era acentuado por ser considerada  presidido e lugar de fugas.

domingo, 17 de julho de 2011

A ILHA SOB A POSSE DOS LORONHA’S

          A vida na Ilha dos Loronha’s começava a ser traçada a partir das relações mercantis que se faziam presentes no mundo moderno. Não era a toa que por muitas e muitas vezes se lançaram ao mar homens com destinos a mundos desconhecidos, mas com um único objetivo: a busca por ouro, prata e pedras preciosas. Esses objetos cobiçados eram determinantes aos cofres das nações européias, detentoras do capital naquela época. E essa imagem não fugia do cotidiano de Fernão de Loronha, que para garantir comércio no mundo novo conquistado, no caso a Terra de Santa Cruz, adquiria como barganha de um tratado comercial a posse de uma terra sem ligação cultural ou de herança com ele. Há quem diga, inclusive, que Loronha nunca aportara pelos mares de cá.
          O historiador Hélio Vianna em sua obra intitulada História do Brasil nos traz a informação que
Verificada, na primeira exploração de 1501/1502, a existência, na nova terra, de pau-brasil, útil à indústria de tintas, resolveu-se em Portugal o arrendamento de sua extração a mercadores de Lisboa, que também se comprometeram a explorar... um dos arrematantes do contrato, o rico cristão-novo Fernão de Loronha, preparou a frota que sob seu comando, ou de outrem, por sua conta, ou com a associação de outros mercadores, veio ao Brasil em 1503... o que positivamente sabemos é que em conseqüência dessa viagem, a 16 de janeiro de 1504 doou D. Manuel I a Fernão de Loronha a ilha de São João... foi essa aliás a primeira capitania hereditária do Brasil, que logo tomou o nome de seu donatário. 
           Rico empreendedor, comerciante e armador, natural das Astúrias, Loronha era representante do banqueiro Jakob Fugger na Península Ibérica. E juntamente com outros cristãos-novos, comerciantes portugueses, obteve concessão para explorar os recursos naturais do Brasil durante três anos. O consórcio financiou a expedição de Gonçalo Coelho nesse mesmo ano.
  Em 1506, Loronha e os sócios extraíram das novas terras mais de 20 mil quintais de pau-brasil, vendidos em Lisboa com um lucro de 400% a 500%. Em 1511, associado a Bartolomeu Marchioni, Benedito Morelli e Francisco Martins, participou da armação da nau Bretoa, que a 22 de julho retornou a Portugal com uma carga de 5 mil toras de pau-brasil, animais exóticos e 40 escravos, mulheres em sua maioria.
  O fato é que o conjunto de ilhas constituía o primeiro ponto, ou experiência, econômica em forma de capitania no novo mundo. E esse feito acontecia muito antes da efetiva organização hereditária na colônia luso-americana, que aconteceria entre os anos de 1534 e 1536. A ilha permaneceu em posse dos Loronha até 1700, quando D. Pedro I, em carta régia de 24 de janeiro, determinou a sua anexação a capitania de Pernambuco.
  Fidalgo português de descendência britânica, Fernão de Loronha converteu-se ao cristianismo provavelmente para escapar da inquisição e também garantir a sua presença no dito comércio. Liderou o consórcio de exploração do pau Brasil nas novas terras portuguesas mediante tributos à coroa, enviando seis navios por ano para tal fim.

Os registros até então encontrados a respeito dessa família cujo brasão foi conseguido pelos muitos serviços prestados ao El Rei D. Manoel, revelam a falta de interesse em povoar, explorar, tampouco desenvolver alguma atividade. Muito mais interessados pela política que os envolvia em Portugal, a Ilha que em 1737 começava a ser reconhecidamente chamada pelo nome de seu proprietário, ficou a mercê de outros povos e nações.